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Capital Próprio vs. Capital de Terceiros: Quem Realmente Paga o Risco?

  • Foto do escritor: RadarFinanceiro
    RadarFinanceiro
  • 19 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 31 de dez. de 2025


Por:

Rogério Ngombo, MBA

Financial Controller


No debate financeiro, tornou-se quase um lugar-comum afirmar que o capital de terceiros é mais barato do que o capital próprio. A lógica é simples: a dívida tem juros mais baixos e ainda oferece benefícios fiscais, enquanto o acionista exige retornos mais elevados.


A diferença essencial entre dívida e capital próprio não está apenas no custo, mas também em quem suporta a incerteza. O credor tem prioridade no recebimento e nos fluxos contratuais definidos. O acionista é residual, não tem garantia de dividendos e absorve toda a volatilidade do negócio. Por isso, o capital próprio exige maior retorno: atua como amortecedor de risco da empresa.


O problema surge quando se confunde custo financeiro com custo económico. A dívida pode parecer barata, mas é inflexível. Juros e principal devem ser pagos mesmo quando o desempenho piora. Quando o ciclo económico se inverte, o que era vantagem transforma-se rapidamente em pressão sobre o caixa da empresa.

 

Tomamos como exemplo o caso abaixo 


Uma empresa do sector energético gerou no exercício econômico de 2024 um resultado operacional de 700 milhões de Kz, sabendo que o mesmo tem uma dívida de 6 mil milhões de Kz, ela tem de pagar 900 milhões em juros anuais.


 

Basta lembrar o que aconteceu com várias empresas do sector petrolífero entre 2014 e 2016. Endividaram-se em tempos de preços altos do crude, com condições que pareciam favoráveis. Quando os preços caíram, as receitas desapareceram, mas os compromissos com os bancos mantiveram-se. O resultado foi renegociação, perda de valor para os acionistas e, em alguns casos, insolvência. A dívida ficou protegida; o capital próprio levou o impacto.

Isto não significa que a dívida seja má ou que o capital próprio seja sempre a melhor opção. Significa apenas que a alavancagem não elimina o risco, apenas o desloca. Em contextos estáveis, ajuda a ganhar eficiência. Em economias como a nossa, mais expostas a choques e volatilidade, pode facilmente amplificar fragilidades.

 

Por isso, é fundamental termos uma estrutura de capital que, ao mesmo tempo, reduza os riscos e aumente os ganhos para os donos do capital.

 
 
 

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