top of page
Buscar

Alavancagem em Fundos de Investimento SADC

  • Foto do escritor: RadarFinanceiro
    RadarFinanceiro
  • 30 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Um fundo de investimento é considerado alavancado quando aumenta a sua exposição a ativos financeiros para além do capital subscrito pelos investidores.


Isto pode ocorrer através de:

  • Empréstimo de dinheiro ou valores mobiliários (alavancagem financeira)

  • Utilização de derivados que criam exposição adicional (alavancagem sintética)


Embora o conceito seja universal, o grau, a forma e o controlo da alavancagem variam muito entre os países da SADC, devido a diferentes níveis de desenvolvimento e capacidades regulatórias.


Variação Regulamentar na SADC


A SADC inclui mercados mais desenvolvidos como a África do Sul e a Maurícia e mercados emergentes ou em desenvolvimento, como Angola, Zâmbia, Malawi, Namíbia, Lesotho, entre outros.


Mercados Desenvolvidos (ex.: África do Sul e Maurícia)

  • Mercados financeiros profundos e sofisticados

  • Existência de mercados de derivados, repos, e fundos hedge

  • Regras avançadas de reporte e limites de alavancagem


Mercados Emergentes (ex.: Angola, Zâmbia, Namíbia, Malawi)

  • Regras mais conservadoras

  • Utilização restrita de derivados

  • Empréstimos para fundos limitados em montante e prazo

  • Menor prática de operações com colateral (repos, empréstimo de valores)


Tendência geral:

A SADC aplica políticas de alavancagem mais prudentes para proteger investidores e prevenir riscos sistémicos.


Tipos de Alavancagem na Região da SADC


1. Alavancagem Financeira


Empréstimos obtidos através de:

  • Linhas de crédito bancárias

  • Empréstimos de curto prazo

  • Operações de compra e recompra (repos), mais comuns em mercados desenvolvidos


Nos mercados emergentes, os reguladores frequentemente limitam:

  • Percentagem máxima do NAV que pode ser emprestada

  • Duração máxima do empréstimo

  • Finalidade (normalmente apenas para gestão de liquidez)


2. Alavancagem Sintética 


Exposição criada com:

  • Futuros

  • Opções

  • Swaps

  • Contratos a termo cambiais (FX forwards)


Contudo:

  • À exceção da África do Sul e Maurícia, a maioria dos países da SADC permite derivados apenas para cobertura (hedging)

  • Mercados menores não têm plataformas desenvolvidas de derivados


Exemplos de Alavancagem nos Mercados da SADC


Dependendo do país, a alavancagem pode incluir:

  • Empréstimos de curto prazo para gerir liquidez

  • Operações de repo (principalmente na África do Sul, Botsuana e Maurícia)

  • Utilização de derivados cambiais para cobertura (comum em Angola, Namíbia e Zâmbia)

  • Empréstimo de valores mobiliários (nos mercados mais desenvolvidos)

  • Exposição sintética através de futuros (principalmente África do Sul)


Na maioria dos mercados emergentes da SADC, a alavancagem sintética é muito limitada.


Por que motivo as autoridades reguladoras da SADC estão preocupadas com a alavancagem?


Os países da SADC apresentam:

  • Mercados financeiros pequenos ou médios

  • Elevadas volatilidades cambiais

  • Dependência de matérias-primas (petróleo, minerais, agricultura)


Estas características tornam a alavancagem particularmente sensível.


1. Risco de Liquidez


Muitos mercados da SADC têm:

  • Baixa profundidade e liquidez

  • Poucos formadores de mercado

  • Spreads elevados


Fundos alavancados podem enfrentar dificuldades na venda rápida de ativos para cumprir obrigações.


2. Risco Cambial e Macroeconómico


As moedas da SADC, incluindo o Kwanza, Kwacha, Metical, Loti e Pula, podem ser voláteis.


A alavancagem amplifica:

  • Perdas causadas por desvalorização cambial

  • Choques macroeconómicos e fiscais


3. Risco Sistémico


Dada a dimensão reduzida dos mercados:

  • Um único fundo muito exposto pode impactar preços

  • Stress financeiro pode propagar-se rapidamente a bancos e seguradoras

  • Exposição cruzada entre países é relevante numa região de integração crescente


4. Infraestruturas Limitadas


Alguns mercados ainda estão a desenvolver:

  • Sistemas de clearing e settlement modernos

  • Plataformas de derivados

  • Mercados de repos e de empréstimo de valores


Como a alavancagem é medida nos mercados da SADC?


Os métodos internacionais são utilizados na medida do possível:


1. Método Bruto

  • Avalia a exposição total

  • Útil como indicador inicial

  • Pode sobrestimar alavancagem quando há cobertura eficaz


2. Método de Compromisso

  • Considera o efeito líquido após hedging

  • Nos mercados onde derivados são apenas para cobertura (ex.: Angola), este valor costuma ser baixo


3. Método VaR (Value-at-Risk)

  • Utilizado sobretudo na África do Sul

  • Menos comum em mercados emergentes devido à falta de dados e capacidade técnica


Importância de um Avaliação de Alavancagem


Um scorecard de alavancagem é crucial numa região com grande diversidade regulatória e níveis distintos de risco.

Serve como ferramenta de supervisão e gestão de risco.


Benefícios para a Região da SADC:


1. Harmonização Regional


Facilita:

  • Comparação entre países

  • Supervisão convergente

  • Integração dos mercados da SADC


2. Detecção Antecipada de Pressões de Liquidez


Importante devido a:

  • Mercados menos líquidos

  • Possíveis pressões de resgate

  • Riscos de chamadas de margem em derivados cambiais


3. Avaliação Multidimensional de Risco


Um scorecard regional deve incluir:

  • Níveis de alavancagem

  • Risco cambial

  • Liquidez dos ativos

  • Exposição a contrapartes bancárias

  • Uso de colateral


4. Estabilidade Regional


Ajuda reguladores a identificar:

  • Fundos com exposições excessivas

  • Crescimento rápido da alavancagem

  • Riscos que possam afetar vários países simultaneamente

 
 
 

Comentários


  • Grey LinkedIn Icon
  • GitHub

© RADAR FINANCEIRO

bottom of page